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Especialista aponta que gestão do ambiente interno pode reduzir riscos e preservar vidas
Mais de seis trabalhadores morrem por mês no Brasil em
acidentes dentro de silos de armazenagem de grãos. O dado faz parte de
levantamento da Auditoria-Fiscal do Trabalho, do Ministério do Trabalho,
conduzido por Rudy Allan Silva da Silva, da Superintendência Regional do
Trabalho no Rio Grande do Sul (SRTE/RS)*.
Os casos envolvem soterramento, asfixia
por gases e explosões — situações que ocorrem em uma das etapas mais críticas
e, ao mesmo tempo, menos visíveis da cadeia produtiva. O problema, segundo
especialistas, está na natureza desses ambientes.
“O silo é um espaço confinado, com
dinâmica própria. O grão pode se comportar como um fluido e o ar interno pode
apresentar condições inadequadas sem que isso seja percebido imediatamente”,
explica Otávio Matos, gerente técnico da Cycloar.
Um dos fatores mais críticos é a presença
de pó em suspensão. Durante a movimentação da massa de grãos, partículas finas
são liberadas no ambiente. Em determinadas concentrações, esse material pode
formar uma atmosfera explosiva. Para que isso ocorra, basta a combinação de
três elementos: oxigênio, material combustível (o pó) e uma fonte de ignição.
“Não é um cenário hipotético. São
condições que podem estar presentes no dia a dia das unidades armazenadoras”,
afirma Matos.
Além do risco de explosão, a presença de
gases e a redução de oxigênio tornam o ambiente ainda mais perigoso para quem
precisa acessar o interior das estruturas. Para o especialista, a forma como o
setor encara a armazenagem precisa evoluir.
“Durante muito tempo, o foco esteve na
qualidade do grão. Hoje, essa discussão precisa incluir também a segurança das
operações. Um ambiente mais estável reduz a necessidade de intervenção humana
e, consequentemente, o risco”, explica. Nesse contexto, tecnologias que atuam
no controle do ambiente interno passam a ter papel relevante.
Sistemas de exaustão contínua do ar, como o Cycloar, contribuem para reduzir a concentração de partículas em suspensão, minimizar a formação de atmosferas potencialmente explosivas e dissipar gases. Além disso, soluções que permitem a entrada de luz natural nos silos e armazéns ampliam a visibilidade interna e reduzem riscos nas operações.
Mas a tecnologia, sozinha, não resolve o
problema. “A segurança passa por um conjunto de fatores. Limpeza das unidades,
manutenção dos equipamentos, treinamento das equipes e cumprimento de
protocolos são fundamentais”, destaca Matos.
Essa visão está alinhada ao conceito de
“risco zero”, amplamente utilizado em setores como aviação e indústria. A ideia
central é que o erro não deve ser tratado como inevitável, mas como algo que
pode ser reduzido por meio de processos, cultura organizacional e capacitação
contínua. Na prática, isso significa abandonar a tolerância ao risco e adotar
uma postura preventiva.
No caso da armazenagem de grãos, esse
movimento ainda está em construção. “Ao reduzir a necessidade de entrada de pessoas
nos silos e melhorar as condições do ambiente, conseguimos diminuir a exposição
ao risco. É uma mudança de mentalidade que envolve toda a operação”, afirma o
gerente técnico.
Para especialistas, o desafio agora é
avançar na conscientização do setor.
No Paraná, o CREA-PR, em parceria com o
Corpo de Bombeiros, tem promovido ciclos de palestras e treinamentos voltados à
segurança em silos, reforçando a necessidade de qualificação técnica e
prevenção em ambientes de armazenagem.
O agro brasileiro já demonstrou capacidade de incorporar tecnologia e aumentar produtividade em larga escala. O próximo passo é garantir que esse avanço seja acompanhado por práticas mais seguras na armazenagem.
*Fonte: Brasil de Fato

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