Chuvas e El Niño colocam o manejo dos vinhedos em alerta para a próxima safra

 

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Chuvas no período de pré-floração auxiliam desenvolvimento das parreiras, mas granizo pode ser obstáculo em anos extremos


      As chuvas que antecedem a floração das videiras podem contribuir para o desenvolvimento das plantas, mas a intensidade e a distribuição das precipitações ao longo do ciclo são determinantes para a produção de uvas. 
 
Localizada em Monte Belo do Sul, na serra gaúcha, a equipe técnica da vinícola Casa Marques Pereira observa de forma minuciosa o andamento do El Niño para garantir uma safra com o mesmo padrão de qualidade dos outros anos.
 
Com a possibilidade de episódios de chuva intensa e granizo associados ao El Niño, o manejo dos vinhedos exige atenção redobrada nas próximas etapas da safra, segundo Felipe Marques Pereira, vinhateiro e sócio-proprietário da Casa Marques Pereira.
 
Na fase de pré-floração, em que as plantas se encontram atualmente, a chuva tende a ser benéfica. A disponibilidade de água ajuda na nutrição das videiras antes de um período de maior demanda energética, quando as flores se desenvolvem e ocorre a formação dos frutos.
 
O cenário muda, porém, quando começa a floração, etapa em que o excesso de precipitação pode prejudicar a exposição das flores à luz solar e a polinização, além de dificultar a abertura das estruturas florais.
 
Depois da floração, durante a formação das bagas, a necessidade de água continua, mas o excesso de umidade pode aumentar a pressão de doenças fúngicas. O risco também se intensifica durante o amadurecimento das uvas, período em que as condições climáticas influenciam tanto a sanidade dos frutos quanto a definição do momento ideal para a colheita.

 
Granizo é uma das principais preocupações

Além do volume de chuva, os eventos extremos são uma preocupação para os produtores. De acordo com Felipe Marques Pereira, o El Niño pode favorecer episódios de precipitação intensa e granizo, capazes de causar danos físicos às videiras e comprometer a produção.
 
O granizo pode quebrar galhos, perfurar as bagas e afetar a fertilidade das plantas. Dependendo da intensidade dos danos, a recuperação pode levar mais de uma safra.
 
“Às vezes tem plantas que precisam de duas, três safras para ser recuperadas de uma chuva de granizo”, avalia o vinhateiro.
 
O excesso de precipitação também pode dificultar o controle de doenças fúngicas e tornar menos previsível o calendário de colheita. A combinação entre chuva, umidade e necessidade de tratamentos fitossanitários exige que o produtor ajuste o planejamento de acordo com as condições encontradas no vinhedo.

 
Menos chuva na maturação pode favorecer a colheita

Na fase de amadurecimento, períodos com menor volume de chuva podem favorecer a concentração de açúcares nas uvas e ampliar o controle do produtor sobre o ponto de colheita. O resultado depende das características desejadas para o vinho e das condições de cada safra.
 
 
A previsibilidade do tempo também interfere no manejo fitossanitário. O vinhateiro explica que, quando a uva está próxima do ponto ideal de colheita, uma nova chuva pode exigir a reaplicação de tratamentos e o cumprimento do intervalo de carência dos produtos antes da retirada dos frutos.
 
“Se você tem menos chuva, consegue ter mais controle sobre o ponto que vai colher a uva”, afirma.
 
Com isso, o impacto do clima não se limita à quantidade produzida. A distribuição das chuvas ao longo do ciclo pode influenciar a sanidade das uvas, o calendário de trabalho no vinhedo e as decisões tomadas pelo produtor para preservar as características da matéria-prima destinada à elaboração dos vinhos.

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